Espelhos Infiéis
Nebulosas
Celso Furtado
Encadernação

Encadernação
Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação
Novo Lançamento da Coleção Artes do Livro
O que a encadernação revela ao ser compreendida como objeto e como prática que dão forma e realidade ao livro? Quais relações estabelece com o mundo editorial, com o colecionismo, com as artes, com o design ou com o patrimônio documental? Com este volume, no 16o. da Coleção Artes do Livro, a Ateliê Editorial oferece pela primeira vez ao público brasileiro um panorama de respostas a essas perguntas, reunindo mais de trinta estudos de algumas das principais vozes do campo, que situam a encadernação como objeto central da cultura escrita. Gesto técnico, escolha estética, índice de práticas editoriais e de leitura, o livro encadernado é aqui tomado como objeto histórico complexo, atravessado pelo trabalho dos profissionais do livro, por saberes técnicos, circuitos comerciais, práticas colecionistas, códigos simbólicos e políticas patrimoniais. A partir de estudos de caso, reflexões teóricas e análises materiais, a encadernação é observada em diferentes espaços e temporalidades: em oficinas e editoras, no mercado do livro e nas bibliotecas, nas coleções e nos catálogos, nos discursos técnicos e na ficção, nos processos criativos e nos laboratórios de conservação. Apesar de seu amplo alcance, a encadernação permanece à margem dos discursos críticos sobre o livro e a edição. Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação enfrenta essa lacuna ao colocar em diálogo diferentes tradições – da história do livro aos estudos literários, da biblioteconomia aos estudos editoriais, das artes visuais ao design, da bibliologia à conservação-restauração. Ao fazê-lo, em um contexto de profundas transformações da cultura escrita, os trabalhos aqui reunidos ajudam a reinscrever os sentidos do livro no passado e no presente.
Coleção Artes do Livro n. 16
Organizadora: Ana Utsch
Projeto Gráfico e Diagramação: Negrito Produção Editorial
Ilustrado, colorido
Os Mortos
Ganhador do Prêmio Literário da
Fundação Biblioteca Nacional de 2026
Categoria Poesia
Prêmio Alphonsus de Guimaraens
Cada uma destas dezessete composições é um epitáfio composto. O conjunto transcende o memorial familiar e irradia uma potente tensão lírica. Em Os Mortos, Paulo Franchetti dialoga com seus antepassados. Os defuntos revelam as próprias falhas e as marcas que suas vidas deixaram sem dissimulação, enquanto o poeta responde com empatia, uma ternura que, embora exclua a condenação, não exclui o julgamento. A poesia é lapidar, despojada de ornamento retórico. Ao manter a gravidade que o contexto impõe, cria uma dicção única, ao mesmo tempo coloquial e solene. Efeito raro esse. Gera uma espécie de oralidade espectral, onde a fala de uma família brasileira descendente de árabes e italianos ressoa o Eclesiastes. Dar voz aos mortos é lugar-comum literário. Bem distinto é dar vida à voz dos mortos. Obra de maturidade, escrita por força de um impulso inevitável, esta série é uma meditação sobre a permanência da perda. Nela, Paulo retrata não somente os seus, claro está, mas a condição humana. Por outro lado, não é demais mencionar que as figuras do álbum – tendo ou não existido – são o poeta. Viveriam apenas nele, não fosse o verso. É um exorcismo da ausência, o que a poesia realiza aqui. Mas sem remissão, intuo. A arte, mesmo a maior, pode muito, mas não redime. [Thomaz Albornoz Neves]
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“Li Os Mortos, poesia maior lastreada em memória voluntária intensa, transfigurada em vozes com marcas do vivido, ora revisitado para compensações. Um dolorido diálogo com o tempo ! Um susto, para mim, com o tamanho da poesia que li; grande, irretocável, em plaquete graficamente bem realizado, prefaciado com texto certeiro e muito bem escrito”. [Luiz Gonzaga Marchezan -Unesp/Araraquara]
“Li os poemas do seu livro Os Mortos. É a obra mais linda que li nos últimos tempo. Uma joia lapidada encantadora que fascina pela perfeição ao comunicar dramas, sofrimentos, afetos irreprimíveis. Tento apenas descrever o que vivi ao ler seus poemas… para agradecer a grandeza dessa experiência”. [Letizia Zini – Unesp/Assis]
“Hoje, lendo seus poemas em Os Mortos, entendo o que me falava, quando dizia que conversava com os seus mortos, “sem ser vidente”! Que ideia magnífica! Muito interessante como, nesses “diálogos”, você consegue, em poemas tão breves, gravar toda uma história de vida, que lhe ficou , de cada morto seu! Que sensibilidade, Paulo! Na fala deles e em suas respostas, envolve-nos a força dessas lembranças ou relações! Cria-nos imagens claras, dando mesmo vida aos falecidos! Muito original, criativo… forte e sensível ao mesmo tempo! Já li… e reli… e vou tornar a ler em outros dias, para entender melhor alguns sentimentos densos, que você nos traz! Que talento para conter uma tão grande obra, em livrinho tão pequeno”. [Conceição Reis – PUC/Campinas]
“Quantas biografias se escondem num poema? Sempre penso que os lutos dos pais dão forma ao estado emocional de um filho. Uma criança aprende com essas mortes como aprende com os CDs e fitas. Com estes entende a música; com aqueles entende (um pouco mais) a vida. Se eu cresci com os lutos da minha mãe, aqui vislumbramos os fantasmas com quem Paulo Franchetti conviveu — e convive. Em Os Mortos, o poeta medita sobre seus mortos, compondo um monumento repleto de silêncio, pontuado por versos calmos, ainda que carregados de sentimento, versos que carregam a passagem do tempo entre as mortes e o texto (dom de haicaísta!). Eis aqui tantas lápides e suas inscrições inventadas, eis declarações não ditas, eis angústias sentidas, eis também tantos espelhos: de um lado a boca dos mortos, cheia de palavras do poeta, do outro outras palavras suas, pousando na página o que o vento não levou aos ouvidos dos vivos. O poeta se olha nos olhos dos mortos, se olha pelos olhos dos mortos, nos empresta seus olhos para vermos também. No entanto, o poeta também ressuscita as vidas a cada epitáfio: mostra-nos uma nesga que cintila a cada leitura. Penso que ele escreve os versos como quem deposita flores num túmulo. Ter um poema sobre si não é como ganhar uma sobrevida? E um poema não seria um presente ou homenagem tão digno quanto as flores? Sim e não. Paulo trabalha aqui com a honestidade (im)possível perante a morte: no momento da passagem, admite-se um tanto antes negado, vela-se outro tanto, por desmemória ou perdão — mas, passado mais um tempo, os sentimentos mudam, e com eles, as lembranças. (Mas, passado mais um tempo, também não morrem as flores?) Há quem diga que não se deve falar mal dos mortos, Beckett disse de mortuis nihil nisi, já Paulo diz o que precisa dizer. Se afasta e se aproxima da religiosidade ao revelar o que se oculta por tradição, ao mesmo tempo que refaz a lápide dos mortos que lhe marcaram a vida, como num ritual de pacificação de si com as disputas inerentes ao luto, à memória, à família. Acima de tudo, é belo e comove. Também vale dizer: acho simbólico esse livro ser tão pequeno, pequeninito como o infinito que se pode dizer diante da Morte”. [Gabriela Vescovi – PG-Unicamp]
“Os Mortos é um belíssimo livro. Não sei se o seu mais belo livro, porque outros também me parecem belos. Talvez seja seu livro preferido porque é o último. Mas também porque nele estão aqueles que, sem estar, estarão em você até o dia derradeiro. A princípio, diria que é um livro de poesia dramática, em que o neto convoca e conversa com os seus mortos. Avós, pais, tios (quantos tios!) e tias… são todos convocados, como num álbum de família em que o retrato, póstumo, é construído com palavras. Há também um diálogo estabelecido pelos poemas entre os mitos pessoais convocados, a exemplo da filha, Maria, a mãe do neto poeta (o guardião da memória da família), com o pai, Youssef, que, com o baú do enxoval, só deseja um neto que o continue. Por conta desse diálogo entre os poemas, que termina compondo a árvore genealógica, e do diálogo do neto com os seus mortos, diria que as 17 peças compõem um só poema. Mas o diálogo é também um monólogo, uma estratégia poética. Os poemas são feitos a partir de uma conversa interior do neto poeta com os seus mortos. Constituem uma tentativa não de exorcizar a ausência, pois a ausência é uma presença viva e verdadeira. Mas de compreender esses seres, com suas luzes e sombras. Compreendê-los para seguir os dias na companhia de todos eles”. [Solange Fiúza – UFG]
“A leitura de Os Mortos é a um só tempo comovente, impressionante, perturbadora. Impressiona a honestidade dos mortos do poeta, aos quais a liberdade absoluta de sua condição – o grande bônus! – permite falar o que em vida calavam, o que o decoro silenciava. A fala sem censura os expõe com tudo o que encerram em si mesmos, despida das ilusões; a pedra de seus epitáfios tudo revela. Eis o que faz perturbadora a leitura, mas comovente, porque ouvimos sobre vidas em sua inteireza de experiências que reconhecemos como nossas – como parte de nossa compartilhada natureza humana. E tanto mais comovente as falas dos mortos se tornam pelas respostas que o poeta que os reúne lhes dirige, a cada um, com notável grau de aceitação só possível por seu olhar sobre a humana condição – um olhar realista, que recusa ilusões. Os mortos foram o que foram – eles, suas vidas. O poeta vivo, generoso, sensível, dá-lhes voz e oferece-lhes ainda algo mais – e mais precioso: compreensão”. [Giuliana Ragusa – USP]
“Pequeno/grande livro, OS MORTOS, de Paulo Franchetti (Ateliê Editorial, 2025), recoloca o humano sem mistificações no centro da linguagem, em um doloroso e exemplar conjunto de poemas autobiográficos. O volume é composto por um jogral pós-morte, em que os familiares idos, com suas dores, alegrias e incompreensões, falam com o sobrevivente, na sua condição de neto, filho, sobrinho. O “ninho da tribo” é assim revistado nestes diálogos impiedosos, em que ninguém esconde afirmações ásperas, carregadas de rancor e frustração, desvelando o lado escuro de cada um. Falar com os mortos em contrapontos sempre duros é a forma que Franchetti escolheu para esta homenagem às avessas, em que as figuras de seu álbum de família, presentes em sua memória ou já esmaecidas, voltem ao tabuleiro do agora. Convocados, eles continuam sua sina sem idealizações. E este recurso se faz novo e forte em uma literatura entregue a funções pretensamente curativas. O poeta revolve feridas. Com uma linguagem despretensiosa, vinculada a indivíduos anônimos e rústicos, os poemas apeiam da literatura para caminhar no chão da existência. Por isso, não há saudosismos líricos e porejados de lágrimas. Os textos, dos dois lados – o dos mortos e o do eu poético – seguem na trilha conturbada da convivência, sempre cheia de atritos pessoais, rúncias, ofensas, expectativas e verdades dolorosas. O poeta volta aos seus, não para um encontro neste território final que é a sua própria entrada na velhice, mas para continuar discordando de todos, “coração / cevado de ódio”. E este discordar é a sua forma de amar. Porque o amor pelas pessoas não pode ser uma mentira, precisa contemplar tudo que coube nas relações de outrora. OS MORTOS apresenta também outra inversão de sinais. O filho que responde às falas dos seus antepassados é o pai deles, pois os cria neste espaço de linguagem e descrença, território estrangeiro para aqueles que tiveram ocupações braçais, vidas obscuras e crença mística. A família se reúne de novo para o amoroso exercício da divergência. [Miguel Sanches Neto (escritor)]
“Um livro de poemas corajoso. O título é um convite. Quando li o título fui lançada para um campo, uma espécie de chamado sobre os meus mortos. E você alinhava os poemas com uma agulha brilhante! A foto do seu avô é linda! Achei uma publicação primorosa e sutil, em que o formato, a discrição, o texto são de um requinte como folhear um antigo álbum de retratos. E ocupam um lugar na estante assim como os mortos devem ocupar um lugar na vida da gente: de repente sem os procurar, a gente os encontra”. [Flaviana Tannus (psicanalista)]
História da Cerveja no Brasil
OKTOBERFEST
A História da Cerveja no Brasil – O Legado de Stupakoff e Künning é o relato do trabalho de pessoas visionárias que vislumbraram a possibilidade de ajudar a construir uma grande Nação.
Após cuidadosa pesquisa, Rogério Furtado e Henri Kistler compartilham com os leitores e apreciadores de cerveja tudo o que descobriram sobre a presença da bebida na vida dos brasileiros. A obra A História da Cerveja no Brasil – O Legado de Stupakoff e Künning retoma um gênero pouco praticado entre nós – a história empresarial, temperado com doses certas de história dos costumes, da difusão da tecnologia, e de estratégias de negócios. Descrito assim, o projeto pode parecer demasiado, mas os autores conseguiram equilibrar informações de qualidade apresentadas com uma linguagem agradável de se ler, entremeada por imagens muito bem selecionadas. Um aspecto importante da obra é relembrar ao leitor que o mundo dos negócios é feito de escolhas, da concorrência acirrada, de alianças na cadeia de suprimentos, de atritos entre investidores e empresários, de negociações com os poderes públicos. Também há produtos que alcançam boas vendas e geram lucros, enquanto há outros que não têm o mesmo sucesso. Acima de tudo, a produção industrial, bem como a sua venda e difusão requerem inteligência e trabalho. Envolvem, portanto, muita gente. Em tempos de hiperconsumo, este livro é uma obra oportuna. [Professora Teresa Cristina de Novaes Marques Universidade de Brasília – UnB]
Semifinalista do Prêmio Jabuti 2025,
categoria Economia Criativa
Indicado pela Folha de S.Paulo como melhor livro lançado em 2024
para presentear no Natal (www.folha.uol.com.br)
Moleque de Fábrica – Uma Arqueologia da Memória Social
Aproveite a oferta!
50% de desconto!
Na sua primeira edição (2011), esse livro recebeu o título de Uma Arqueologia da Memória Social. Agora reeditado em 2018, todo revisado, vem com o novo título Moleque de Fábrica – Uma Arqueologia da Memória Social.
O autor nos apresenta uma trajetória pessoal de adversidades e superações, expondo o Brasil pela margem de dentro de seus dilemas, dias de blecaute e racionamento da Segunda Guerra Mundial, a morte de Getúlio Vargas, a greve dos 400 mil, em 1957, a violência doméstica resultante do embate entre a ordem rústica que se desagregava e o urbano anômico que se impunha. Com seu olhar microscópico e cotidiano, José de Souza Martins conta sua infância e adolescência, na roça e na fábrica, traçando o retrato de uma era decisiva no advento da modernidade no Brasil: a era Vargas. Sua história é um convite à iniciação nas ciências humanas. Um jeito diferente de conhecer o que elas têm a dizer sobre o homem comum sem desconhecer-lhe o imaginário que dá sentido às incertezas do viver sem rumo.





















